A FUNÇÃO FORMADORA DOS COORDENADORES PEDAGÓGICOS
Em geral, a trajetória de formação do coordenador pedagógico apresenta uma grande defasagem entre os conteúdos aprendidos e a demanda de trabalho relacionada à atuação junto aos professores.
Neste artigo, a cidade de Itupiranga revela como está resolvendo a questão.

Produtos finais do Projeto Didático Contos de Fadas − Exposição realizada na Escola Serafina de Carvalho, Itupiranga/PA.
A participação em processos de profissionalização, que responda às especificidades da função do coordenador pedagógico, tem se colocado como condição necessária para o desenvolvimento de uma prática de intervenção adequada aos processos de ensino e de aprendizagem realizados no interior da escola. A não existência de um preparo específico leva o coordenador a manter-se distante de seu verdadeiro objeto de trabalho: a formação continuada do professor. Não é de se espantar que, durante muito tempo, este profissional tenha se envolvido com questões burocráticas ou tenha atuado como uma espécie de supervisor controlador.
Grupo de professoras da EMEF Jarbas Gonçalves Passarinho (Gilciléia, Rosa Oliveira e Gristiane) estudando
as características e vantagens do projeto didático (foto de Léiva Rodrigues de Sousa).
O papel do formador
O coordenador pedagógico é
corresponsável pelos resultados das aprendizagens dos alunos. Portanto, tem
como desafio a implementação de ações com intencionalidade formativa voltadas
para a qualificação constante e permanente dos professores, o que implica na
legitimação do coordenador como formador. Consequentemente é sua
responsabilidade a viabilização de mudanças na sala de aula e na dinâmica da
escola, o que conduz a um impacto bem mais produtivo e significativo do
processo educativo. Entendendo, de um lado, a complexidade que envolve a
natureza da função do coordenador e, de outro, a necessidade de lhe oferecer
oportunidade de profissionalização específica, ousamos instituir mudanças na estrutura
de formação que até então vinha sendo realizada, para que fosse possível
atender essa necessidade.
Itupiranga, município do Sul do Pará,
criou o Departamento de Formação Continuada, que pretende, sobretudo,
possibilitar o repensar da prática do coordenador e a construção de
competências que contribuam progressivamente para a efetivação e consolidação
de uma estrutura de formação permanente nas escolas. Esse processo está sendo
desenvolvido por meio do projeto Formação de Formadores: Construindo Competências
a Caminho da Profissionalização Permanente no Espaço Escolar. A proposta
decorre da participação do município de Itupiranga no Rede Além das Letras, um
programa nacional que apoia formadores em diferentes regiões do país1.
As ações de formação anteriores eram
feitas pela equipe técnica direto com os professores da rede. Os coordenadores
participavam em pé de igualdade com os professores. Hoje, há uma especificidade
na sua atuação: a equipe técnica procura instrumentalizar o coordenador para o
exercício da sua liderança pedagógica. Essa concepção exige uma formação mais
acurada, que envolve os conhecimentos didáticos, a forma mais efetiva de
comunicá-los aos professores, o desenvolvimento da observação e análise da
prática pedagógica, bem como a reestruturação do tempo e rotina dos
coordenadores, como demonstra o quadro a seguir:

Conclusões
Concretizar esse processo, que se pretende transformador em relação à prática do coordenador e, que em suas próprias características, traz o ousado desafio de romper com o modelo convencional de formação, é uma tarefa extremamente exigente e rigorosa, pois provoca alterações numa dada prática partindo do seu próprio desvelamento. Isto requer a articulação entre os princípios que sustentam a formação reflexiva e a dinâmica do real, vivenciada pelo grupo, com suas dificuldades, expectativas e necessidades formativas. Além disso, a diversidade explicitada pelos diferentes contextos de atuação de cada membro do grupo requer um atendimento individualizado e diferenciado.
Embora esta seja uma iniciativa recente e pioneira na realidade educacional do município, sua repercussão tem sido muito positiva. Tomando como ponto de partida o que os coordenadores fazem e como fazem, bem como a análise desse fazer em função do seu foco de atuação, tem sido possível o reconhecimento da necessidade de mudança. A partir da constatação de equívocos em relação à prática concretizada e a discussão de seus condicionadores é possível efetivar mudanças. Considerando esses observáveis, o trabalho tem sido validado à medida que são apontados novos indicadores capazes de possibilitar redirecionamentos na realização das ações com os professores.

Aluna Beatriz Araújo de Souza (1ª série) da EMEF “Ulisses Guimarães produzindo um poema” (foto: Verônica Haidar).
(Léiva Rodrigues, Katilvânia Guedes e Verônica Haidar, formadoras do Projeto de Formação da Secretaria Municipal de Educação do Município de Itupiranga – PA)
1 Mais informações visite o site: www.avisala.org.br e acesse o link do Rede Além das Letras. Se preferir, vá direto ao site: www.alemdasletras.org.br.
Para saber mais
- Escrever e Ler – Como as Crianças Aprendem e como o Professor pode Ensiná-las a Escrever e a Ler, de Lluís Maruny Curto, Maribel Ministral Morillo e Manuel Miralles Teixidó, Vol. I. Ed. ArtMed: Tel.: (51) 3027-7070
- Ler e Escrever na Escola: O Real, o Possível e o Necessário, de Delia Lerner. Ed. ArtMed. Tel.: (51) 3027-7070
- PCN de Língua Portuguesa – 1ª a 4ª Série. MEC, 1996. Arquivo disponível no site: www.mec.gov.br
Coordenadora pedagógica Dalvina Barbosa (EMEF “Jarbas Gonçalves Passarinho”) com seu grupo de professores (1ª a 4ª e EJA 1ª e 2ª etapa) em reunião de formação na própria escola
Este conteúdo faz parte da Revista Avisa lá edição #25 de Janeiro de 2006. Caso queira acessar o conteúdo completo, compre a edição em PDF ou impressa através de nossa loja virtual – http://loja.avisala.org.br
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